Programação gratuita no Recife ocorre de sábado a terça-feira (02 a 05/05), trazendo exposição de videoartes e clipes, vivência com óculos de realidade virtual, mostra de animação “Além-mar” e música autoral com Una Menino, Jonatas Onofre e Fykyá
A 5ª Semana do Audiovisual Negro (SAN) realiza a exibição de 41 obras de curta-metragem (ficção, documentário, animação e exposição de vídeos, como clipes), reunindo 24 cidades, 12 estados do Brasil e quatro regiões (Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sudeste). Com temáticas de identidade racial, gênero, classe social, território, cultura popular, memória e tradição & saber oral, a programação da SAN entra em cartaz nos cinemas São Luiz (dias 02/05 – sábado; e 03/05 – domingo), no bairro da Boa Vista (centro do Recife), e UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), na Cidade Universitária, Zona Oeste recifense (dias 04/05 – segunda-feira; e 05/05 – terça-feira). Em ambos os locais, as sessões começam às 14h durante quatro dias seguidos.
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A curadoria das obras pernambucanas, sendo maioria, do Nordeste (seis estados: PE, BA, CE, RN, PB e MA), do Norte (PA) e demais (SP, RJ, MG, GO e ES) foi realizada coletivamente por profissionais locais do audiovisual: Bia Pankararu (produtora cultural, audiovisual e comunicadora); João Rêgo (curador, programador, jornalista e crítico de cinema); Lúcio Vinícius (licenciado em História pela FASP); Karla Fagundes (educadora, pesquisadora e formada em História na UFPE); e Feane Toê (realizadora audiovisual, educadora e pesquisadora formada em Letras pela UPE, pós-graduada em Cultura Visual pela Unicap e mestranda em Estudos de Linguagem pela UFRPE).
Praticamente todas as obras — mais de 515 minutos juntando todos os audiovisuais — são de classificação indicativa livre e as outras entre dez, 12 e 14 anos de idade, com recorte de ano entre 2020 e 2025. Além das sessões especiais no São Luiz — “Retrospectiva Lia Letícia” (dia 02/05) e “Griôs do Cinema Negro no Nordeste” (dia 03/05), ambas às 18h —, a SAN exibe curtas-metragens produzidos no Desafio Griô por estudantes e profissionais da 5ª Semana do Audiovisual Negro, exatamente na data da abertura da programação de maio, no dia 02/05, à tarde. Também no Cinema São Luiz, durante os encontros, ocorre a exposição de clipes e videoartes e a imersão com óculos de realidade virtual. As atividades acontecem nos dias 02 (sábado) e 03 de maio (domingo) na entrada principal do próprio São Luiz.
A “Retrospectiva Lia Letícia (cineasta)” pela SAN, na noite do sábado (02/05), reproduz mais 17 obras audiovisuais de curta-metragem, datadas de 2002 a 2024. Dez delas têm exibição na tela grande do São Luiz e as demais na exposição na entrada do cinema. Outra atividade é a mostra de animação “Além-mar”, ocorrendo domingo (03/05), no Cinema São Luiz, e com a sua continuidade no Cinema UFPE, dia 04/05 (segunda-feira). Assinada por Kalor Pacheco, a curadoria das animações traz obras das culturas negra e indígena. Já uma das sessões de terça-feira (05/05), na UFPE, às 16h, dispõe de recurso de acessibilidade em Libras para as pessoas com deficiência auditiva.
Para ampliar os movimentos artístico-culturais, a SAN potencializa a música pernambucana autoral, com shows ao vivo e coletivos entre Una Menino, Jonatas Onofre e Fykyá, no dia 02 de maio (sábado), no Cinema São Luiz, à noite. Una é natural do Recife, Jonatas do município de Paulista (RMR) e Fykyá de São Paulo. Atuam como artistas independentes solo em estúdios, palcos, trilhas sonoras, produção musical, espetáculos teatrais e musicais etc. Fykyá, pankararu LGBT+, está no território indígena Pankararu, no município de Tacaratu (Sertão de Pernambuco), desde 2004.
As sessões de domingo são em memória ao pernambucano Lula Lourenço (natural de Caruaru), um dos primeiros cineastas negros do estado. Além de realizador de obras audiovisuais, que contribuem para a cultura popular do Agreste do estado, a partir do registro de tradições e vivências locais, ele atuou em defesa da comunicação pública no país, sendo inclusive diretor de programação da TV Universitária da Universidade Federal de Pernambuco. Também esteve no Comitê Executivo de Rede, como representante de emissoras públicas do Nordeste.
Além disso, as cidades envolvidas na SAN representam tanto a capital como o interior: Recife, Ipojuca (RMR), Nazaré da Mata (Zona da Mata Norte), Buíque (Agreste), Águas Belas (Agreste), Afogados da Ingazeira (Sertão) – PE; Salvador e Acupe – BA; Fortaleza – CE; Natal e Acari – RN; Campina Grande – PB; São Luís e Imperatriz – MA; Belo Horizonte – MG; São Paulo e Guarulhos – SP; Rio de Janeiro e Niterói – RJ; Espírito Santo, Vila Velha e Aracruz – ES; Goiânia – GO; e Belém – PA.
Vale reforçar que a curadoria, a direção e a facilitação da SAN têm a autoria coletiva de profissionais periféricos e populares de Pernambuco e do Nordeste. A 5ª Semana do Audiovisual Negro tem incentivo público, com financiamento do Funcultura (Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco), pelo 17º edital do Programa de Fomento à Produção Audiovisual de PE, por meio do Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE). Existem também parcerias com Cabra Quente Filmes (Recife), UBUPLAY (Rio de Janeiro), TVU Recife, InGaza Filmes (Afogados da Ingazeira), Ponto de Cultura: Coletivo Xerém Cultural (Afogados da Ingazeira), Br3ch4 Audiovisual (Recife), Negras Linhas (Recife), Cinema São Luiz e Cinema UFPE
A equipe técnica é formada por profissionais da Região Metropolitana do Recife e do interior de Pernambuco: Rafa Nascimento (direção artística e produção executiva); Jota Carmo (coordenação pedagógica); Alexandre HN e Tatiana Quintero (produção); Leo Lemos (assistência de produção executiva); Wandryu Figueiredo, Richard Soares e Aline Sou (assistência de produção); Isadora Clemente e Katarina Scervino (design); Ingrid Veloso (social media e videomaker); Janaína Oliveira (identidade visual), e Daniel Lima (assessoria de imprensa).
A Semana do Audiovisual Negro existe desde 2019, com a edição de estreia no Cinema da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ao longo desses sete anos de história, foi realizada no Museu da Abolição (Recife), Cinema da Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco), no Recife, Cinema São Luiz (Recife) e Teatro do Parque (Recife), além de circular pela RMR (Centro Cultural Grupo Bongar – Guitinho da Xambá, em Olinda), Cine Teatro Bianor (Camaragibe), Sertão do estado (Cine São José, em Afogados da Ingazeira) e escolas da rede pública de ensino, assim como universidades.
Territórios & Ensino
As sessões da 5ª SAN também são itinerantes e contemplam escolas pernambucanas da rede pública, chegando aos municípios de Camaragibe/PE (Região Metropolitana do Recife) e de Afogados da Ingazeira/PE (Sertão), no mês de maio. A juventude escolar, com crianças e adolescentes, recebe como tema o “Audiovisual Negro e Indígena”.
Desafio Griô
Recentemente, a 5ª SAN foi recebida pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), onde houve o Desafio Griô durante três dias seguidos com rodas de conversa, oficinas e sessões de filme sobre formação e mercado audiovisual negro e indígena. Os encontros foram realizados de 22 a 24 de abril, com acesso gratuito. As pautas reuniram giras de diálogo (temas: “Griôs do Audiovisual de PE”; “Cinema independente no BR” – Lia Letícia, Daniel Bandeira e Carlota Pereira; e “Curadorias e novos olhares no cinema/audiovisual” – Lorenna Rocha, Kalor Pacheco e Feane Toê), atividades formativas (“direção de fotografia” com Sylara Silvério, do Rio Grande do Norte e “desenvolvimento de roteiro”, com o pernambucano Caio Dornelas); e cineclube “Alma no Olho” (curadorias de Feane Toê e Luly Peligrosa).
No ano passado, a SAN abriu inscrição para “Desafio Griô” e reabriu a oportunidade em 2026. O desafio surgiu justamente a partir de uma atividade de formação, com o objetivo tanto de incentivar como fortalecer estudantes das culturas negra e indígena, por meio da produção coletiva de um filme de duração máxima de cinco minutos (curta). É importante informar que as obras autorais produzidas pelos grupos terão exibições futuras na TVU Recife (TV Universitária – canal aberto), afiliada à TV Brasil, e na UBUPLAY, plataforma de streaming gratuita destinada aos filmes realizados por pessoas negras e afrodiaspóricas.
Ainda por cima, os grupos concorrem a prêmios de estímulo à produção audiovisual, como locação de equipamentos de fotografia e de som, consultorias profissionais de roteiro e de produção e distribuição do filme na tv e na internet.
“O desafio das equipes foi lançar uma obra audiovisual em 72 horas, ou seja, três dias seguidos como tempo recorde para criar, produzir e entregar. Sendo assim, foi necessário formar um grupo com pessoas de cursos, escolas, universidades, oficinas e capacitações de comunicação, rádio, tv, cinema e audiovisual, acompanhadas por professor, professora, orientador e orientadora. O tema do ‘Desafio Griô’ foi único, sendo revelado para os grupos contemplados justamente na conclusão dos encontros formativos na Unicap. Feito isso, começou o processo de produção para realizar o roteiro, a filmagem, a edição, a finalização e a entrega do curta-metragem em até três dias”, pontua Rafa Nascimento.
CONFIRA AS OBRAS AUDIOVISUAIS (CURTA-METRAGEM)
“A HISTÓRIA DA MEMÓRIA” (2025) – Direção: Rostand Costa (PE – Recife)
Classificação indicativa: livre; duração: 2’34’’
“A HISTÓRIA DE AYANA”(2025) – Direção: Cristiana Giustino e Luana Dias (RJ – Niterói) Classificação indicativa: livre; duração: 7’
“A LACRAIA VAI TREMER” (2024) – Direção: Jadson Titânio e Lá Baiano (ES – Vila Velha)
Classificação indicativa: livre; duração: 13’’
“A PISADA É DELAS – MULHERES DO CORAÇÃO NAZARENO” (2024) – Direção: Patrícia Yara Rocha (PE – Nazaré da Mata)
Classificação indicativa: livre; duração: 15’
“ACUPE” (2024) – Direção: Rafa Martins (BA – Acupe)
Classificação indicativa: livre; duração: 7’
“AILIZARB”(2025) – Direção: Lobo Mauro (RJ – Rio de Janeiro)
Classificação indicativa: livre; duração: 7’
“AMARRAÇÃO” (2020) – Direção: Hariel Revignet (GO – Goiânia)
Classificação indicativa: livre; duração: 7’
“AQUÍFERA” (2025) – Direção: Fausto Paiva (PE – Buíque)
Classificação indicativa: livre; duração: 9’
“BENZEDEIRAS” (2023) – Direção: Elizabeth Regina (ES – Espírito Santo)
Classificação indicativa: livre; duração: 18’
“BREU FEBRIL” (2024) – Direção: Wallace Douglas (CE – Fortaleza)
Classificação indicativa: 10 anos de idade; duração: 11’
“CANTIGAS DE PAI FRANCISCO” (2023) – Direção: Iyadirê Zidanes (PE – Recife)
Classificação indicativa: livre; duração: 21’
“CARRINHO DE ROLIMÔ(2025) – Direção: Rafael Nzinga (PA – Belém)
Classificação indicativa: livre; duração: 15’
“CRIANÇAS DO VINTÉM” (2025) – Direção: Lira Fonseca (BA – Salvador)
Classificação indicativa: livre; duração: 2’
“COMADRE FULOZINHA” (2025) – Direção: Rai Diniz e Carlos Mosca (PB – Campina Grande)
Classificação indicativa: livre; duração: 10’
“DE PÉS” (2024) – Direção: Cora Fagundes (PE – Recife)
Classificação indicativa: livre; duração: 8’
“DESESQUECER”(2025) – Direção: Mayara Ferrão (BA – Salvador)
Classificação indicativa: livre; duração: 11’
“ESTA NOITE MINHA ALMA PARTIRÁ” (2025) – Direção: Igor Vasco e Francisco Morato (SP – São Paulo)
Classificação indicativa: 12 anos de idade; duração: 21’
“EU ESTOU AQUI”(2024) – Direção: André Santos (RN – Natal)
Classificação indicativa: 12 anos de idade; 17’
“FALAS IPOJUCANAS – AS VOZES QUE ECOAM DAS ÁGUAS”(2025) – Direção: Diana Honorato Gomes (PE – Ipojuca)
Classificação indicativa: livre; duração: 11’
“FIRMINA”(2023) – Direção: Izah Neiva (SP – Guarulhos)
Classificação indicativa: 12 anos de idade; duração: 15’
“FRUTAFIZZ”(2025) – Direção: Kauan Okuma Bueno (SP – São Paulo)
Classificação indicativa: livre; duração: 19’
“GUÉL BOY” (2025) – Direção: Ayla de Oliveira (PE – Recife)
Classificação indicativa: livre; duração: 24’
“IYALODE: AS DAMAS DA SOCIEDADE”(2025) – direção: Erlânia Nascimento (PE – Recife)
Classificação indicativa: livre; duração: 4’
“KM 100”(2024) – Direção: Lucas Ribeiro (SP – São Paulo)
Classificação indicativa: livre; duração: 20’
“MOVIDO A ÁGUA – GRUPO VIDA SECA FEAT. ANELIS ASSUMPÇÃO”(2025) – Direção: Ana Clara Gomes (GO – Goiânia)

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