Em celebração aos seus 30 anos de carreira, ator pernambucano realiza novamente a peça autoral, no Teatro Hermilo Borba Filho, nesta terça-feira (14 de outubro), às 20h, no Recife Antigo
O espetáculo de teatro “Ayiti, a montanha que assombra o mundo” entra novamente em cartaz, com sessão única no Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, nº 142, Recife Antigo), no dia 14 de outubro (terça-feira), às 20h. A entrada custa R$ 25 (meia) e R$ 50 (inteira), com os ingressos à venda na internet (bit.ly/3L5xPQg). A partir do resgate da memória sobre a Revolução Haitiana (1791-1804), a peça une história, performance, percussão, poesia e dança, sendo apresentada pelo artista e ator recifense Marconi Bispo, que também é encenador e produtor artístico-cultural.
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Em “Ayiti, a montanha que assombra o mundo”, Marconi Bispo atua e encena, além de assinar os textos (dramaturgia) juntamente com Kamai Freire, que é coordenador e orientador da pesquisa. O ator consegue reunir um elenco com artistas locais para a realização da peça. Estão na formação Brunna Martins (atriz), Kadydja Erlen (atriz), Beto Xambá e Thulio Xambá, ambos musicistas do Grupo Bongar e lideranças do Centro Cultural Grupo Bongar – Guitinho da Xambá. O espetáculo pernambucano é produzido de maneira autoral e independente. Ainda por cima, a apresentação celebra os 30 anos de carreira de Marconi. A produção geral é assinada por Arthur Marinho e Giovanna Teles.
“A peça teatral é pensada como a primeira em Pernambuco sobre a Revolução Haitiana. Inclusive, a pesquisa vem sendo desenvolvida para que na sequência ocorram também novas apresentações. Entre todas as numerosas insurreições de escravos, ocorridas desde a antiguidade clássica até os tempos modernos, somente uma foi vitoriosa: a insurreição dos escravos da colônia francesa de São Domingos, iniciada em 1791, no território onde hoje se localiza a República do Haiti”, declara Marconi Bispo.
A ideia de criar a apresentação surge da necessidade de falar, mostrar e registrar que, desde o século 18, o Haiti ensina sobre a contracolonização (“Contracolonizar é contrariar e não sentir a dor que esperam que sinta”, Nego Bispo).
“Em 1804, o Haiti já orientava ao mundo como devemos tratar colonizador. Por que a história registra tão pouco essa narrativa? É a primeira e única revolução escrava bem-sucedida na história moderna. Primeiro país independente das Américas onde a liberdade, por muitos anos, realmente tinha significado. Primeira república negra na história mundial, primeiro estado moderno não-branco. Por que, então, o Haiti é o último na lista de prioridades das escolas? Deve estar nas escolas, nos livros de História, nos palcos do teatro, nos roteiros dos documentários, nas exposições de fotografias etc. Falar do Haiti é nossa revolução”, argumenta.
A pesquisa mais atual de Marconi traz os seguintes questionamentos: “Por que não é dito que a revolução haitiana fundou a primeira nação negra de ex-escravizados e escravizadas a derrotar o invasor e expulsar em definitivo colonizadores de seu território, a abolir a escravidão, a proclamar seu império soberano e passar a incentivar, patrocinar e treinar movimentos abolicionistas e anticoloniais em diversos países?”; “Quais as relações históricas entre Recife e Haiti?”; “Quais diálogos podemos e devemos realizar entre estes territórios e as revoluções que atravessaram o século XIX, cujos ecos precisamos ouvir, entender e se alimentar?”.
“Fiz uma contagem onde encontramos 13 livros sobre a revolução haitiana, sustentando assim a pesquisa. Esse é outro aspecto que concretiza a encenação de ‘Ayiti, a montanha que assombra o mundo’. Um dos primeiros livros que li sobre o tema foi ‘Os Jacobinos Negros’. Com o avanço na pesquisa, descobrimos: a Ilha de São Domingos, que abriga o Haiti e a República Dominicana, era chamada de Kiskeya — Mãe de Todas as Terras — pelo povo Taíno, seus habitantes originais. Assim, vamos montando o espetáculo e se desmontando da linguagem do colonizador. Estamos desenhando uma cena porque não queremos mais uma série de coisas. A ilha onde está o Haiti é, portanto, Kiskeya. E temos dito”, conta.
Diante dessa invisibilidade na historiografia e nos meios de formação de opinião, o ator pernambucano tem como objetivo tornar público que não é por acaso a ausência entre a importância da Revolução Haitiana e a atenção que se dá a ela, no Brasil em particular e no mundo em geral.
“A Revolução Haitiana não acabou, justamente por ser o movimento revolucionário mais impactante de todos os tempos, mais do que a revolução francesa e a revolução russa, por exemplo. A gente quer contar e compartilhar essa história, sobretudo para pessoas das culturas popular, negra e indígena e de origem periférica. Qual revolução mesmo ainda é preciso fazer? Na sua vida, qual revolução você não fez ainda?”, declara Marconi Bispo.
Para o espetáculo acontecer, uma equipe técnica com profissionais do estado também está à frente da realização: Arthur Canavarro, Diego Amorim, Fernando Camaroti e Hassan Santos (audiovisual); João Guilherme de Paula (projeção e iluminação); Hassan Santos e Fábio Caio (pintura/cenografia); Daniel Lima (assessoria de imprensa).
Vale lembrar que já houve uma pré-estreia de “Ayiti, a montanha que assombra o mundo”, que ocorreu no Espaço São Gens (Recife Antigo), no dia 2 de agosto de 2025. Já de outubro a dezembro de 2024, Marconi Bispo realizou uma residência artística na cidade do Porto, em Portugal, a partir dessa temática de estudo e a convite da Circolando Cooperativa Cultural, da Central Elétrica, do Programa InResidence e da Câmara Municipal do Porto.
Marconi tem pesquisado “Relações Raciais em Pernambuco — do século XVI aos dias de hoje” —, com interesse pela construção de demarcadores de gênero dentro das religiões de matriz africana e indígena e as epistemologias afropindorâmicas. Ele também é sacerdote iniciado para Ìyémọjá e Ọbàlùfọ̀n (2004) e Ọrúnmìlà Bàbá Ifá (2023), com presença também na Jurema Sagrada. Já Kamai Freire é maestro, sacerdote de candomblé e doutorando que investiga, em modo transdisciplinar, música e espiritualidade na revolução haitiana, pela Universidade HfM Franz Liszt Weimar, na Alemanha, onde reside atualmente.
Carreira
Marconi Bispo completa três décadas de atividades profissionais nas artes cênicas, tendo vivências com companhias, diretoras e diretores do estado de Pernambuco. Ao todo, são mais de 45 produções cênicas na trajetória, onde atua como ator, cantor, bailarino, bonequeiro, dramaturgo e diretor. O artista tem graduação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no curso de licenciatura em Educação Artística e habilitação em Artes Cênicas (1999), além dos estudos em Canto Popular no Conservatório Pernambucano de Música (2015-2016). Além do mais, reúne realizações no audiovisual como ator, roteirista e diretor.
“Ayiti, a montanha que assombra o mundo” (espetáculo pernambucano)
Data: 14 de outubro de 2025 (terça-feira)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, nº 142, Recife Antigo)
Horário: 20h
Entrada: R$ 25 (meia) e R$ 50 (inteira) – bit.ly/3L5xPQg
Ficha técnica
Atuação, encenação e coordenação de produção: Marconi Bispo
Textos (dramaturgia): Marconi Bispo e Kamai Freire
Orientação e coordenação de pesquisa: Kamai Freire
Elenco: Beto Xambá, Brunna Martins, Kadydja Erlen e Thulio Xambá
Produção geral: Arthur Marinho e Giovanna Teles
Audiovisual: Arthur Canavarro, Diego Amorim, Fernando Camaroti e Hassan Santos
Projeção e iluminação: João Guilherme de Paula
Pinturas/cenografia: Hassan Santos e Fábio Caio

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