Autora pernambucana lança a obra “A Poética Matricial dos Orixás e Encantados: o Ara Ritual Mulher Negra no Teatro Ancestral”, em Arcoverde, no dia 31 de março, e no Recife, dia 10 de abril

A partir da potência da mulher negra, dos saberes ancestrais e das matrizes espirituais que estão conectadas com o fazer teatral, revelando caminhos de criação, memória e presença, a pernambucana Agrinez Melo lança o livro “A Poética Matricial dos Orixás e Encantados: o Ara Ritual Mulher Negra no Teatro Ancestral”. Com classificação indicativa livre e ao mesmo tempo específica para o público adulto, pesquisadoras e pesquisadores das artes da cena, a obra tem como objetivo visibilizar a escrita da ancestralidade afrocentrada no universo do teatro e como consequência fortalecer a narrativa.

O lançamento ocorre gratuitamente tanto no Recife como no interior de Pernambuco, começando inclusive pelo município de Arcoverde, no Sertão, dia 31 de março (terça-feira), na Biblioteca José Lins do Rego (Sesc-Arcoverde), às 19h. O encontro inaugural traz a participação de artistas locais que contribuíram com a escrita, como Everson Melo, do grupo de teatro arcoverdense “Tropa do Balacobaco”, e apresentações artísticas e performáticas da localidade com Maria Lúcia (artista performer) e Ogan RK (cantor, músico e artista). 

Já na Capital, a obra é lançada no Espaço O Poste, dia 10 de abril (sexta-feira), às 19h, no centro do Recife (bairro da Boa Vista), com a presença de artistas do Recife e Região Metropolitana que colaboraram e recursos de acessibilidade em Libras e Audiodescrição para as pessoas com deficiência auditiva e visual. O resumo do livro também fica disponível com Audiodescrição no canal “I Pele Ti o Dun”, no YouTube. A programação dos lançamentos é reservada para a sessão de autógrafos nos locais, celebrando a chegada do segundo livro da escritora.  

“A ideia do livro surge de uma inquietação a respeito da representatividade negra, que não estava em destaque na maioria dos escritos sobre teatro, nas teorias teatrais e nem nas formulações acadêmicas. O conteúdo do livro ‘A Poética Matricial dos Orixás e Encantados: o Ara Ritual Mulher Negra no Teatro Ancestral’ traz justamente a representatividade afrocentrada e feminina nos espetáculos e nas salas de ensaio”, conta Agrinez Melo, candomblecista, atriz, professora, figurinista, diretora teatral e pesquisadora. 

As ilustrações são assinadas por Douglas Duan. Com fotografia de Pht.all, a capa é de autoria de Talles Ribeiro, também à frente da revisão juntamente com a escritora e poeta Odailta Alves. Everson Melo e Robson Haderchpek se juntam a Talles e Odailta como colaboradores. Luiza Saad assume a diagramação, enquanto Foster Costa é responsável pela produção, direção criativa e fotografia. Toda essa equipe é pernambucana. O livro tem incentivo público, com o financiamento do edital Funcultura (Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco), por meio do Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE), além do apoio do Sesc-Arcoverde.  

“A Poética Matricial dos Orixás e Encantados: o Ara Ritual Mulher Negra no Teatro Ancestral” se apresenta como uma proposta inovadora e contracolonial de um fazer teatral artístico, cultural e autoral, realizado a partir de pesquisas diretamente ligadas com os terreiros de matrizes africana e indigena. Natural do Recife e de origem periférica, Agrinez tem formação em Teatro pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), desde 2004, é mestra em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), assim como doutoranda em Artes Cênicas pela UFRN. Além disso, é uma das sócias do grupo teatral recifense O Poste Soluções Luminosas e uma das artistas que lidera o espaço do grupo pernambucano. 

“Em suas páginas, a obra reúne possibilidades de inclusão no teatro e nas artes da cena. Elas são baseadas nas memórias, vivências de estudo e de criação teatral, onde a performance, o teatro e a dança dialogam ao mesmo tempo, por meio das ritualidades do corpo em movimento”, acrescenta a autora, que é criadora da DoceAgri, focada na acessibilidade, no teatro e nas oficinas.

O livro compartilha a criação da metodologia “Poética Matricial dos Orixás Encantados”, desenvolvida pela própria autora. Com as vivências nos terreiros e toda a sua ritualidade, Agrinez leva essas energias para o Ara Agbara, que significa corpo poderoso, na língua africana iorubá. Com a descoberta do próprio corpo, seu poder é reconhecido na cena e fora dela, justamente por ser uma contribuição social. 

“Criei uma metodologia inédita e autônoma e levei para o livro essa poética matricial que desenvolvi. Nos escritos, destaco o ‘Ara Agbara’ nos palcos, fortalecendo os rituais ancestrais. A obra também é criada pela necessidade de estimular o conceito da ancestralidade matricial, com o corpo como território de memória, energia e criação. Mostro um caminho que relaciona minhas experiências teatrais e processos criativos com as de outras artistas e suas obras performáticas”, declara. 

Entre as contribuições do livro, com realização da DoceAgri, está a do lugar da mulher negra e artista na cena. “O lançamento da obra contribui para a mudança de paradigmas e padrões do teatro realizado no Estado de Pernambuco, e também nos ambientes nacionais e internacionais”, pontua. 

O livro está sendo vendido pelo valor de R$ 50. No futuro próximo, a autora vai fazer uma distribuição nos espaços públicos do estado, como bibliotecas e universidades, e levá-lo para mostras, festivais, encontros acadêmicos e demais movimentos artístico-culturais tanto locais como nacionalmente. 

Com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, houve um pré-lançamento na cidade de Porto Seguro, na Bahia, durante o 8º Encontro Corpo, Poética e Ancestralidade, em dezembro do ano passado, sendo organizado pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). 

Como escritora, Agrinez Melo já lançou anteriormente o livro “Elementos da Encenação e Acessibilidade: relatos de amor e arte nas experiências teatrais” (2022), trazendo narrativas que mostram a importância dos recursos de acessibilidade na inclusão de pessoas com deficiência no fazer teatral. 

Formação teatral

Agrinez Melo é a criadora e a facilitadora da oficina teatral “A Poética Matricial dos Orixás e Encantados”, sendo possível respirar uma vivência centrada na ancestralidade e no corpo. Os exercícios são centrados nos ensinamentos matriciais do corpo, que têm as energias dos Orixás e Encantados como elemento central. Recentemente, ela levou a formação à Mostra de Artes Cênicas do Banco do Nordeste Cultural, em Fortaleza/CE, realizada de 24 a 26 de março deste ano. Aconteceu no Centro Cultural Banco do Nordeste, na capital cearense.  

“A proposta é um mergulho nas relações entre corpo, ancestralidade e cena, a partir de referências das matrizes afro-indígenas e do teatro de candomblé. Durante a atividade, as pessoas vivenciam práticas corporais e imaginários ligados aos Orixás e Encantados, enxergando novas possibilidades de criação e presença cênica”, explica. 

Livro “A Poética Matricial dos Orixás e Encantados: o Ara Ritual Mulher Negra no Teatro Ancestral” (2026) – por Agrinez Melo (autora) – classificação indicativa: livre

31 de março (terça-feira) 

Local: Biblioteca José Lins do Rego (Sesc-Arcoverde) – rua Capitão Arlindo Pacheco, nº 364 – Centro/Arcoverde

Horário: 19h

Programação: apresentação de Agrinez Melo, sessão de autógrafos,  participação de Everson Melo, do grupo de teatro “Tropa do Balacobaco” (Arcoverde), e apresentações artísticas e performáticas locais com Maria Lúcia (artista performer) e Ogan RK (cantor, músico e artista).

Entrada: gratuita

10 de abril (sexta-feira)

Local: Espaço O Poste (rua do Riachuelo, nº 641, bairro da Boa Vista, centro do Recife/PE)

Horário: 19h

Programação: apresentação de Agrinez Melo, sessão de autógrafos, participação de artistas do Recife e da Região Metropolitana 

Entrada: gratuita

Recursos de acessibilidade em Libras e Audiodescrição para as pessoas com deficiência auditiva e visual. 

Ficha técnica 

Autora: Agrinez Melo

Capa: Talles Ribeiro

Revisão: Odailta Alves e Talles Ribeiro

Ilustrações: Douglas Duan

Diagramação: Luiza Saad

Colaboradores: Everson Melo, Odailta Alves, Talles Ribeiro e Robson Haderchpek

Fotografia da capa: Pht.all 

Produção, direção criativa e fotografia: Foster Costa

Produção local em Arcoverde: Jéssica Mendes

Assistência de produção no Recife: Núcleo O Postinho

Mídias sociais: Dispense Perspectiva Preta em Cena

Realização: DoceAgri

Assessoria de imprensa: Daniel Lima

Incentivo público: financiamento do edital Funcultura (Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco), por meio do Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE)

Apoio: Sesc-Arcoverde

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