Pernambucana do Recife, poeta autoral traz reflexões femininas a partir da relação com os rios; as ilustrações são assinadas por Clara Moreira

“A mulher que está se refazendo depois de se ver desfeita”. A partir dessa percepção real de gênero, Bell Puã lança o livro “À Mente que Sabe”, pela Editora Letramento/MG e com ilustrações e capa de Clara Moreira. É uma obra de poesias para as mulheres e que ao mesmo tempo faz relação com rios, trazendo a natureza para a leitura como presença do cotidiano, além de reflexões sobre a saúde mental. A classificação indicativa é livre. A autora também prepara uma narração poética da publicação, com a sua voz, ampliando o acesso para o YouTube a partir dos recursos de acessibilidade e do uso de tecnologias digitais. 

A poeta pernambucana realiza o lançamento no dia 12 de março (quinta-feira), na sede do SOS Corpo (Instituto Feminista para a Democracia), no Recife (rua Real da Torre, nº 593 –  bairro da Madalena), às 19h, com entrada gratuita. A celebração é ainda maior porque a chegada do livro da escritora Bell Puã abre a festividade de 45 anos de existência do SOS Corpo, sendo a primeira Ação Cultural Feminista do ano de 2026. O momento para autógrafos e a roda de conversa estão na programação.

“Chega se esparramando e num derramamento de séculos. De mulheres que entendem de monstros, constroem castelos com gesso de ferro, pois também entendem sobre se proteger. E muitas vezes se renegam (ou nunca nem tiveram a chance) de ser princesas. Quando um gênero é acostumado a falar por cima a voz de quem acaba falando por baixo se acostuma a calar como pronúncia por isso grita, mulher nossa primeira insurreição é a fala por meio da denúncia”, declara. 

Com três capítulos, a sinopse do livro diz: “O caminho da mulher que se refaz é parecido com o de subir um rio. Da foz à nascente, do fim ao nascimento, o fluxo é de muita teimosia e contra a correnteza. Em À Mente que Sabe, Bell Puã faz a tristeza de um término se desenrolar em poesia-sabedoria, compreendida em diferentes etapas. O vício que a mente tem do sofrimento se esvai ao longo do percurso, onde o fluxo das palavras leva à cura que só pode ser encontrada na poesia que há dentro de si mesma”. 

Da literatura e natural do Recife, Bell Puã explica sobre a criação e a concretização da ideia. “Surge depois de um término bem difícil, de uma relação tóxica que vivi em minha vida e que me inspirou muito a me refazer como pessoa, poeta e mulher. Consegui entender o feminismo mais na prática mesmo, isso porque conhecia o feminismo dos livros e do que via acontecer com as mulheres ao meu redor. Por meio dessa obra, entendi como as questões do feminino funcionam violentamente no nosso psicológico, então ela trata desse lugar da mulher que se refaz depois de uma relação ruim, com violências do machismo”, conta. 

No resumo, está escrito: “permeada pela alegoria do fluxo, de rios e versos, o livro apresenta um diálogo mental da autora consigo mesma, onde a sequência das poesias se desdobra num processo de cura interna. Este, iniciado na mágoa e tristeza que tanto abala a mente, desemboca na sabedoria que só o coração pode ajudar a discernir”. 

A vivência de estudo da escritora com o meio ambiente e a memória potencializa suas poesias faladas, assim como contribui para a escrita. Vale destacar que ela reúne uma dissertação de mestrado em História Ambiental pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

“A foz, a subida e a nascente são os capítulos. Fala do caminho inverso do rio. Que é ir da foz, onde termina, para a sua nascente, onde começa. Dentro da obra, imagino que é o caminho refeito pela mulher… É ir de um fim, para seu próprio fim e abandono, até o seu começo, que é a sua nascente e a sua criança”, declara.  

Além da parceria com o SOS Corpo, o livro é uma realização da Bola Um Produção Cultural, de Pernambuco. Também tem os incentivos públicos, com o financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife; e do edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), pelo Ministério da Cultura e Governo Federal. Toda a equipe técnica envolvida é formada por profissionais locais. 

Com “À Mente que Sabe”, Bell Puã chega a cinco livros lançados. Os títulos das outras obras da carreira literária da poeta são: “É que dei o perdido na razão” (Editora Castanha Mecânica/PE, 2018); “Lutar é Crime” (Editora Letramento/MG, 2019), sendo esse finalista do Prêmio Jabuti de Literatura na categoria Poesia em 2020, de autoria da Câmara Brasileira do Livro (CBL) desde 1959; “Nossa História do Brasil: Pindorama em Poesia” (Editora Penalux/SP, 2024); e “Não há nada como o Mangue” (Editora Pó de Estrelas/PE, 2025), que é infantil. 

Conquistas e reconhecimentos

Bell Puã é referência do slam (gênero de poesia falada semelhante ao rap improvisado), como cria do coletivo Slam das Minas PE (batalha de poesia falada), ainda em 2017. Ela também é cantora e compositora. Daí para frente, conquistou espaço nos palcos nacionais e internacionais, feiras literárias, projetos sociais, a exemplo do  Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). 

Em 2018, venceu o Slam BR (Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, disputado anualmente em São Paulo). Com o título nacional, foi a representante brasileira e da América Latina no campeonato mundial, realizado na França, no mesmo ano. Vale lembrar que o primeiro contato de Bell com a batalha de poesia falada ocorreu no Slam das Minas, a convite das poetisas Patrícia Naia (SP), criada no Recife, e Amanda Timóteo (PE).

Livro “À Mente que Sabe” (2026), classificação livre – Bell Puã

Lançamento: 12 de março (quinta-feira)

Local: SOS Corpo (Instituto Feminista para a Democracia) – rua Real da Torre, nº 593, bairro da Madalena, Recife/PE)

Horário: 19h

Entrada: gratuita

Ficha técnica

Autora: Bell Puã

Capa e ilustrações: Clara Moreira

Produção executiva: Eduardo Gomes

Editora: Letramento/MG

Realização: Bola Um Produção Cultural

Fotografia: Rodrigo Garcia

Direção criativa: Natália Corrêa

Styling: Hannah Storm

Equipe audiovisual para materiais de divulgação: Runa Ideias

Coordenação de produção: Rodrigo Ramos

Assessoria de imprensa: Daniel Lima 

Acessibilidade: narração poética do livro, com a voz da autora, no Youtube

Incentivo público: financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife; e do edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), pelo Ministério da Cultura e Governo Federal.

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