Existência do movimento manguebeat é celebrada com citação aos recifenses Chico Science e Josué de Castro e presença de Zero Quatro, cantor e compositor da banda Mundo Livre S/A (PE), além de autor do manifesto “Caranguejos com Cérebro”
Com a própria identidade, atitude, códigos e influência do mangue, Barbarize — criação autoral de Bárbara Vitória e YuriLumi — fortalece o território do Bode, comunidade no bairro do Pina (Recife/PE), e as periferias vizinhas. Para celebrar a existência do movimento manguebeat e sua continuidade, o clipe “Mangue” — música que está no álbum “Manifexta” — é lançado com a participação e atuação de Fred 04, fundador, cantor, compositor e músico da banda Mundo Livre S/A (PE). Thiago Barromeo, produtor musical do disco recém-lançado, também está no elenco tocando instrumento eletrônico e guitarra.
Em continuidade tanto na cena como nos palcos, Barbarize é atração inédita do Festival Rec-Beat, que é realizado durante o Carnaval do Recife, no Cais da Alfândega, exatamente em frente à escultura do caranguejo. O grupo estreia nesse tradicional festival, que completa 30 anos, com show no dia 16 de fevereiro (segunda-feira), às 19h30, sendo a segunda apresentação da noite.
Assista ao videoclipe “Mangue” – bit.ly/3MaoHee
“Sempre gostamos de dizer que a gente mora no bairro do Pina, um dos metros quadrados mais caros do Brasil. No Pina tem três comunidades, que são Bode, Beira Rio e Brasília Teimosa, e por lá acontece algo muito intrigante: uma avenida com prédios, hotéis e restaurantes de luxo, considerada Pina, e logo na rua de trás, onde já é a comunidade do Bode, temos famílias vivendo sem saneamento básico, com esgoto a céu aberto e mais um monte de descaso público”, declara Bárbara Vitória, artisticamente conhecida por Babi.
Ao mesmo tempo que valoriza a memória dos recifenses Josué de Castro (1908-1973) e Chico Science (1966-1997), o grupo pernambucano autoral representa o hoje e o amanhã, compartilhando a referência do mangue como ecossistema fundamental a ser sempre preservado e valorizado, a partir da perspectiva ambiental. Além disso, a realização do videoclipe é um agradecimento ao legado ancestral, processo que levou Barbarize — assina a direção e o roteiro do clipe — ao afrofuturismo e seus modos de operar.
“Essa música ‘Mangue’ é homenagem, mas também é grito de agora, denúncia e dança. O ciclo do caranguejo infelizmente ainda é real no ecossistema manguezal. As mazelas a que Chico (Science) se referia estão cada vez mais gritantes e se mostrando de diversas formas na sociedade”, afirma YuriLumi.
O clipe “Mangue” é o primeiro lançamento da Barbarize no ano de 2026. Toda a gravação foi realizada no Estúdio Estelita, no Recife. O videoclipe também é potencializado com a atuação do balé nas cenas, formado por Duda Serafim, Gustavo Barros, Hygor Manta, Mike Roco e Yara Medusa. Além da direção e do roteiro, Barbarize assume diversas funções: conceito, concepção, direção de arte, figurino e preparação.
Entre as mensagens do mais novo audiovisual do grupo estão poéticas como “algo está se movendo”; “do mangue nascem coisas inexplicáveis”; e “somos filhos de um mangue vivo que pulsa arte”. Barbarize coloca a estética atual como um punk afrofuturista reciclado, eletrônico, urbano e ancestral, com ideias semeadas pelo movimento punk para pensar um futuro único para a cultura do Brasil.
“É a cyber mística do mangue, um lugar onde natureza e tecnologia não se opõem, se fundem. Os visuais bebem desse caldo: sucata eletrônica, tintas corporais, roupas reconstruídas, elementos ritualísticos e signos urbanos, criando um híbrido entre o orgânico e o artificial”, contextualiza Bárbara.
A canção começa pelo refrão, nas vozes de Barbarize e Fred 04. “Mangue Mangue/Josué presente. Mangue, Mangue/Chico eternamente”. Na continuação da letra, Barbarize traz um verso que se repete duas vezes: “O mangue me inflama/Me chama, me rega/E me põe na manha/Forte que nem risoflora cresce na lama”.
Barbarize segue versando: “Manguezal é um berçário, né?/Barbarize nasceu da lama!/E ao contrário do que você pensa/O mangue resiste nas suas entranhas”. E continua: “O chié é linha de frente/Os aratus tão na contenção/Caranguejo já deu o papo/que se moscar vai virar balão”. Já perto da conclusão da letra, Fred 04 diz cantando: “Para todos celestiais; Não abaixa a cabeça pra luta; Quem orgulha seus ancestrais; Segue firme mantém a conduta”.
A conclusão é com uma poesia na voz de Bárbara. “Logo cedo me dei conta desse estranho mimetismo: os homens se assemelhando em tudo aos caranguejos. Arrastando-se, agachando-se como os caranguejos para poderem sobreviver. Parados como os caranguejos na beira d’água ou caminhando para trás como caminham os caranguejos e é por isso que os habitantes dos mangues depois de terem um dia saltado para dentro da vida nessa lama pegajosa dos mangues dificilmente conseguiram sair do ciclo do caranguejo a não ser saltando para a morte e assim se afundando para sempre dentro da lama”.
A música “Mangue” tem a presença do percussionista recifense Maurício Bade, da banda pernambucana autoral Mestre Ambrósio. A composição é de autoria coletiva, entre Barbarize, Fred 04 e Thiago Barromeo.
A relação da Barbarize com o movimento manguebeat é viva, presente e atual. Em 2025, por exemplo, fez participação na releitura do disco “Da Lama ao Caos”, em homenagem aos 30 anos dessa obra de Chico Science e Nação Zumbi, realizando no projeto a gravação da música “Maracatu de Tiro Certeiro”.
Já em “Manifexta”, a faixa “Jah Amor” traz a participação da cantora e compositora Louise, filha de Chico Science, e um sample da versão de “Maracatu Atômico”, lançada por Chico Science & Nação Zumbi em 1996 e reconhecida mundialmente, cuja composição é de Nelson Jacobina e Jorge Mautner. O X no nome do álbum é pensado propositalmente.
“Existe feitiço na grafia, atitude e vibração. Manifexta com X é trocar o sapato social por uma bota de combate. É mais descontraído e quente, é do Recife, de Pernambuco. Fora que tem uma história que no Recife o sotaque chia mais do que em outros lugares do Nordeste, ou não”, explica YuriLumi.
Vale destacar que Barbarize é uma junção de expressões artístico-culturais, por meio do diálogo e da coletividade com artistas e produções das artes visuais, cinema, comunicação social, danças urbanas, grafite, jornalismo, moda, música, poesia, teatro etc. Jéssica Jansen (produtora executiva), DELIIRA (Dj), Victor Limar (diretor audiovisual), Yara Medusa (dançarina oficial do balé) e Victor Marinho (dançarino oficial do balé) são exemplos de pessoas que estão produzindo o grupo desde o surgimento.
Com realização do Selo Estelita (Recife), o lançamento do primeiro álbum da carreira é considerado uma virada de chave nos caminhos do grupo. Isso porque é a culminância de uma fase de experimentações e descobertas. Além disso, é a conquista de um amadurecimento na linguagem artística e estética e uma expansão nas formas de interação com o público. Já é visível que a Barbarize tem um público em crescimento. Inclusive, na audição no Estelita, o quantitativo de pessoas num dia de semana para celebrar o pré-lançamento de “Manifexta” chamou a atenção.
São mais de 30 músicas nas plataformas digitais em praticamente cinco anos de história. Além de estar sonoramente no universo da internet desde 2021, sua essência é visual. Até então, já soma um álbum visual na sua estreia, o “SobreVivências Periféricas” (2021), composto por seis videoclipes (“Celestial”, “Geração”, “Foco”, “Raio Solar”, “Ilumina” e “Pretos no Topo”), o filme-show “Becos da Realeza” (2024), que também é documentário de média-metragem, e os clipes como “Kicalor (2021); “Diladin” (2023 – videodança), “Cobra” (2023), “Aquitaquente” (2025), esse com mais de 650 mil visualizações, e “Imagina” (2025), assim como os visualizares “Hit da Evolução” (2022), com Amun Há, e “Boom Boom” (2024).
Em 2024, Barbarize esteve em São Paulo/SP, conquistando espaço no Prata da Casa, com a realização de show no Sesc Pompeia. Ainda por cima, “Barbarizou” em performance-entrevista no programa Cultura Livre, da TV Cultura. Pelo estado de São Paulo, fez apresentação na cidade de Bragança Paulista (SP), em parceria com Barromeo, no Balcão Busca Vida. No mesmo ano, chegou ao Circo Voador, no Rio de Janeiro/RJ. Da capital carioca, foi para Belém/PA, onde se apresentou no 19º Festival Se Rasgum.
No palco, Barbarize atua com uma banda e um balé, criando cenas que unem música, dança, moda e artes visuais. Atualmente, apresenta um show com o universo do álbum “Manifexta”, obra com letra, performance, instrumentos de corda e percussão e eletrônico.
Fred 04 & Thiago Barromeo
Com o lançamento do clipe “Kicalor”, em 2021, o nome da Barbarize chegou para Fred 04, jornalista e autor do Manifesto “Caranguejos com Cérebro”, publicado no ano de 1992 em parceria com o jornalista Renato L. Ambos são pernambucanos. Ao conhecer Barbarize, Zero Quatro até investiu na mesma equipe audiovisual para direção do videoclipe “Melô das Musas Empoderadas da Ilha Grande” (2022), do Mundo Livre com participação da atriz, cantora e compositora Doralyce (PE), a Miss Beleza Universal.
Inclusive no ano de 2025, em Brasília/DF, Fred 04 destacou a conexão entre Barbarize e o produtor musical Thiago Barromeo, de São Paulo, durante uma entrevista ao vivo no programa “É Tudo Brasil”, na Rádio Nacional. Vale lembrar também que Zero Quatro já participou do show da Barbarize, no Festival Recife Mais Verde, em 2024, cantando justamente a música “Mangue”.
Foram praticamente dois anos de produção para o lançamento do disco. Paralelo a isso, a atuação em shows, palestras, espaços de mídia e divulgação de músicas e clipes. O movimento do álbum “Manifexta” começou em 2023, quando o selo Estelita anunciou a Bárbara e a Yuri uma viagem para São Paulo, com o objetivo de abrir as produções do disco com Barromeo. Em dez dias na capital paulista, nove faixas foram produzidas. Algo inédito para o universo Barbarize, que na maioria do tempo se dedica à filha criança Naomi (ela nasceu nos primeiros momentos da história do grupo).
A partir da ligação com o músico, guitarrista e Dj Barromeo, que reúne trabalhos com Black Alien, Mano Brown e Planta e Raiz, foram surgindo as parcerias com artistas, cantores e compositores como Oreia (MG), Lino Krizz (SP) — voz marcante de sucessos do Racionais MC’s como “Fórmula Mágica da Paz”, “Jesus Chorou” e “A Vida é Desafio” —, Xis (SP), Dada Yute (RJ) e J Coppa (Jamaica), além do Dj Luciano Rocha (SP), que também é produtor musical do “Manifexta” e um dos nomes de respeito do rap nacional. A contribuição de Thiago para a Barbarize é mais do que a produção musical, até porque gravou guitarras, beats, teclados, samples, instrumentos orgânicos e percussão pontualmente nas músicas do disco.
Ficha técnica (clipe “Mangue” – 2026)
Direção, conceito, idealização, concepção, preparação e roteiro: Barbarize
Direção geral: Barbarize (Bárbara Vitória e YuriLumin)
Elenco: Bárbara Vitória, YuriLumin, Fred 04 e Thiago Barromeo
Balé: Duda Serafim, Gustavo Barros, Hygor Manta, Mike Roco e Yara Medusa
Assistência de roteiro: Juliabe Balbino e Mateus Bernardo
Direção de arte e figurino: Barbarize
Cenografia: Juliabe Balbino e Barbarize
Assistência de cenografia: Matheus Carlos, Carlos Lima e DELIIRA
Figurino: Bárbara VitóriaAcervo de figurino: Christiana Garrido (Nucha Acervo) e Barbarize
Direção de fotografia e montagem: Mateus Bernardo
Operação de câmera: Mateus Bernardo e Okoye
Assistência de câmera e still: Okoye
Color grading: Ronny Colors
Mídias sociais: Matheus Carlos
Produção executiva: Barbarize
Assessoria de imprensa: Daniel Lima (PE) e Yasmim Bianco (nacional)
Assistência de produção: Carlos Lima e Matheus Carlos
Assistência de logística: Mário e Arnaldo
Pós-produção: Jéssica Jansen
Beleza e maquiagem: Karine Oliveira
Pintura corporal: Raquel Suspira
Hair stylist: Yara Medusa
Direção de coreografia: Victor Marinho
Assistência de coreografia: Yara Medusa

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