Mais do que um mestre da percussão, Naná Vasconcelos foi um artesão dos sons do mundo — um músico que transformou o berimbau em ponte entre o Brasil e o planeta. Seu legado, marcado por inovação, ancestralidade e experimentação, segue pulsando através do projeto de preservação do seu acervo, que realiza nesta semana mais uma etapa das Vivências Naná, ação de educação patrimonial voltada agora para estudantes de escolas de música.

Nos dias 14 e 15 de maio, no Recife e em Olinda, os encontros propõem mais do que uma aula sobre conservação de acervos: são uma imersão em um modo de pensar a arte como extensão do corpo, do território e da memória. A entrada é gratuita.

As atividades serão conduzidas pela restauradora Débora Assis Mendes, com participação de Patrícia Vasconcelos, viúva de Naná e responsável pela supervisão do projeto, e produção de Amaro Filho. A iniciativa é realizada pela Fadurpe (Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional), com apoio da Fundarpe e do Governo de Pernambuco, por meio de emenda parlamentar do deputado estadual João Paulo.

O local dos encontros também carrega significados: na quarta-feira (14), a vivência acontece na Cátedra Naná Vasconcelos, na UFRPE — espaço criado justamente para refletir e projetar o pensamento do artista. Na quinta-feira (15), é a vez do Centro de Educação Musical de Olinda (CEMO), instituição dedicada à formação musical de jovens.

Enquanto a indústria cultural muitas vezes silencia nomes fundamentais da música brasileira, especialmente fora dos grandes centros do Sudeste, projetos como este se tornam urgentes. Naná não cabia em rótulos: gravou com Don Cherry, Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Pat Metheny, Björk — e ainda assim, sua maior obra talvez tenha sido a própria busca. Sua música era ritual, política, travessia.

Preservar seu acervo é, portanto, mais do que catalogar documentos: é manter viva uma filosofia sonora que compreende o Brasil em sua complexidade — do terreiro ao palco internacional, do maracatu ao jazz.

Para quem deseja entender a dimensão real da música como patrimônio, as Vivências Naná são mais do que recomendadas — são necessárias.


Serviço:
Vivências Naná – Educação Patrimonial com base no acervo de Naná Vasconcelos
📍 14 de maio – Cátedra Naná Vasconcelos (UFRPE / Proexc – Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n – Dois Irmãos, Recife), às 15h
📍 15 de maio – CEMO – Centro de Educação Musical de Olinda (Av. Pan Nordestina, s/n – Jardim Atlântico, Olinda), às 14h
🎟️ Entrada gratuita
🔗 Mais informações: www.nanavasconcelos.com.br

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